domingo, 1 de novembro de 2015

A Arte Inspira a Moda



Já o Jacques Doucet (1853-1929) que abriu, em 1875, uma casa de alta-costura em Paris, usou pinturas dos séculos XVII e XVIII como fonte de inspiração para suas coleções de vestidos de baile. Doucet utilizava rendas, musselina, cetim e seda e não poupava seus vestidos de ornamentos. Pode-se afirmar que Jacques Doucet foi o primeiro estilista a utilizar, oficialmente, as artes plásticas como fonte de pesquisa e de criação das suas coleções, invertendo o processo. Ou seja, se, antes, os artistas plásticos se inspiravam na moda, com Doucet a moda começa a se inspirar na arte.

Vale ressaltar que o século XIX assiste ao nascimento da fotografia. A Sociedade  Francesa de Fotografia é criada em 1858/60. À medida que a técnica se desenvolve, melhoram a qualidade dos retratos e nasce a profissão de fotógrafo, grande responsável pelo mundo das imagens, que foi plenamente desenvolvido no século XX. E o atual século XXI é inteiramente dominado pelas imagens ...!

Ex-assistente de Jacques Doucet, a estilista Madeleine Vionnet (1876-1975) abriu sua “Maison” em 1912. Sua maior especialidade, o que a celebrizou, foram os vestidos que se amoldavam ao corpo, com perfeição. Vionnet foi a mestra do corte enviesado, a mestra do drapeado. Ela encomendava seus tecidos com quase dois metros a mais de largura, a fim de esculpir seus drapeados. Suas formas simples também se caracterizavam pela ausência da cor em vestidos cortados inteiriços, sem cavas. Muitas das suas peças eram vestidas pela cabeça, pois não tinham abotoamento. Madeleine Vionnet se consagrou pelas suas formas helênicas, clássicas, inspiradas na antiguidade grega. Seus tecidos prediletos eram o crepe, o crepe da china, a gabardine e o cetim

Também ex-assistente de Jacques Doucet, o estilista Paul Poiret foi quem “afrouxou” a silhueta formal da moda, subiu a cintura e obteve uma forma mais confortável, reduzindo o número de roupas íntimas e também de saias e sobressaias. Seus vestidos lembram o estilo adotado no período neoclássico, só que com alguns toques orientais, traduzidos nos turbantes e em algumas calças de odaliscas. Poiret procurou promover o uso destas calças bufantes, inclusive quando viajou pela Europa, com um grupo de modelos para apresentar as linhas básicas da sua coleção. Em 1913 ele realizou uma turnê pelos Estados Unidos, com o objetivo de divulgar e vender o seu estilo marcado pelas cinturas altas ou cinturas neoclássicas.
Os vestidos de Paul Poiret  fizeram sucesso, alcançaram alta aceitação. Mas quando estourou a Primeira Grande Guerra ele fechou sua “Maison” e alistou-se no exército francês.

Finda a guerra, quem se consagra é Gabrielle Coco Chanel (1883-1971), a estilista que traduziu os novos anseios femininos. Suas roupas eram feitas com menos forro para ficarem mais leves e menos rígidas e, definitivamente, dispensavam o uso do espartilho. Foi Chanel quem lançou roupas elegantemente simples, pois para ela “o belo sempre precisa coabitar com o útil, favorecendo  a liberdade de movimento dos corpos.”
Gabrielle Coco Chanel  simplificou a silhueta feminina, retirando os ornamentos supérfluos, de luxo explícito. Ela teve como fonte de inspiração o guarda-roupa masculino. Criou o vestido-chemisier simples; produziu Cardigãs , blazers e twinset . Ela própria só usava as roupas que havia adaptado de peças tradicionais masculinas como, por exemplo, camisa simples com gola aberta, capa de chuva com cinto, etc. 
Suas cores prediletas eram o cinza, azul-marinho e o bege. Ou seja, tons sóbrios. Chanel inventou o guarda-roupa prático, minimalista (inclusive nas cores) que dominou todo o século XX. E ela amava as artes plásticas mas considerava que a costura não é uma arte e sim uma profissão. 
Chanel não utilizou as artes plásticas como fonte de inspiração, mas encantou artistas, particularmente o francês Jean Cocteau que desenhou para a revista Elle (francesa) a inconfundível silhueta esguia, de seios pequenos, de Coco Chanel.
No seu desenho, Cocteau imortalizou um vestido de noite, criado em 1937, que apresenta a modelagem simples que tornou Chanel famosa: decote em U, bijuterias substituindo as jóias e o laço adornando os práticos cabelos curtos.

Enquanto Chanel diminuiu o gosto pelo ornamento com suas formas simples e funcionais que  "encarnavam os valores da era do progresso", a italiana Elsa Schiaparelli (1890-1973) fundiu, de maneira moderna e irreverente, arte com moda.

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