domingo, 1 de novembro de 2015

Impressionismo



Impressionismo: Nasceu em 1874, em Paris, França. Veio diretamente do realismo de cujo espírito científico se impregnou. O pintor impressionista foi um observador atento do seu tempo e imortalizou cenas do cotidiano e o jeito de viver, sobretudo do (a) parisiense. 
Para os impressionistas, a forma é obtida através das vibrações luminosas das cores que mudam incessantemente. Os olhares desatentos é que não percebem as mudanças da cor de acordo com a incidência de luz solar. Os efeitos plasticamente dinâmicos do estilo impressionista são obtidos através do emprego das cores e de suas relações e contrastes. Esse estilo, por suas inovações, influiu profundamente na pintura do século XX.


Os impressionistas ao deixarem os antigos ateliês de pintura, tão usados por seus antecessores, passaram a pintar as grandes avenidas francesas, as ruas de festas, pois queriam imortalizar a vida do jeito que ela se permitia ser vista. Queriam retratar a luz do momento e adoravam estudar mudanças de luz. Nas suas telas, os personagens integram a paisagem ou o ambiente. O surgimento da tinta em tubo facilitou o deslocamento dos pintores, que viviam intensamente o seu tempo. Afinal, para os impressionistas, a melhor inspiração para a realização de um quadro eram os fatos, hábitos e costumes da época.

Uma tela de Claude Monet chamada ¨Impression, soleil se levant¨numa tradução literal, ¨Impressão, sol nascente, gerou o nome Impressionismo.

No quadro ¨Mulheres no jardim¨de Claude Monet, realizado em 1866, ( que se encontra no museu d’Orsay, Paris – França ) quatro mulheres são retratadas no exato momento em que colhem flores do campo para fazer buquês.
Seus vestidos, melhor dizendo, suas ¨toilettes¨traduzem o rigor do bem se apresentar que era exigido do todas as moças e senhoras de família.
Para um passeio a pé, uma moça deveria usar um vestido com ombros e busto cobertos ( decotes discretos só à noite...! ) e saias bem amplas, valorizadas pelas sobressaias e crinolina. Chapéus e sombrinhas eram acessórios indispensáveis no culto ao rito das vestimentas, que exigia tempo disponível. Afinal, dava trabalho vestir saias, sobressaias, corpetes, anáguas, etc.

Toilette: numa tradução literal do francês significa traje, vestido enfeite, preparo individual.

E nesta época, uma mulher que gostava de se apresentar bem, necessitava ter cinco a sete/oito¨toilettes¨por dia. Ou seja: de manhã, vestia o ¨robe de chambre¨, para passear ou sair a pé, uma ¨toilette¨completa ( exemplo: quadro ¨Mulheres no jardim¨de Monet ); para andar à cavalo, outro modelo de roupa, com algum leve toque de amazona, nem que fosse no chapéu ou apenas no chicote; para fazer uma visita, que poderia ser de condolências,de nascimento, de celebração de algum fato, outro modelo. Se fosse jantar na casa de amigos, outro modelo.
Ombros à mostra ou discretos decotes eram permitidos ( e até desejados ) nos vestidos para ir ao teatro ou para ir aos espetáculos. E ainda havia a ¨toilette¨de caça para as mulheres que gostavam de acompanhar seus maridos na prática deste esporte, que era exclusivo da aristocracia e da alta burguesia.
Robe de chambre, traduzindo do francês significa roupão de quarto. No Brasil, ainda se usa muito a palavra peignoir que vem a ser roupão de senhora, além de ter o significado de penteador.
Para as mulheres dos anos 60 do século XIX, a cor do vestuário carregava um forte componente simbólico. As jovens escolhiam tons suaves, leves, como o branco, o marfim, o branco sujo, o bege claro – conforme pode ser observado no quadro ¨Mulheres no jardim ¨ de Claude Monet. As mulheres na faixa dos vinte e vinte poucos anos ( o que já era, na época considerada, idade da responsabilidade, de criar filhos, administrar um lar ) usavam vermelho. Já a cor preta ficava restrita às mais velhas, lembrando que, na época, trinta anos já era considerada, ¨idade avançada¨para uma mulher.

Coube a Pierre-Auguste Renoir, retratar uma senhora de preto. O quadro se chama ¨Retrato de uma mulher ¨ou ¨Retrato de madame Hartmann¨, foi realizado em 1874, e se encontra no Museu d’Orsay, em Paris, França, que abriga as melhores telas do estilo impressionista.
O volume – detalhe que foi uma constante na moda feminina do século XIX – desta vez está nas laterais e, sobretudo, mas costas, ou melhor dizendo, no bumbum, marcado por um imenso laço. As anquinhas ( que os franceses chamavam de ¨crinolinette¨) podiam tomar a forma de um imenso ¨pouf¨, nas costas. Um parêntese: a moda feminina do século XIX foi projetada para dissimular os corpos das mulheres. A modelagem se caracterizava pelo excesso do volumes: imensas saias, sobressaias, crinolinas, drapeados, ¨pouf¨ no bumbum, etc. Mascarava/dissimulava busto, ancas, quadris.Fecha parêntese.


Afinal, a sociedade da época era cheia de ¨falsos¨pudores, quando o assunto era mulher. E havia vários livros – escritos pelas mulheres da aristocracia – como  os ¨códigos¨do saber viver ( ¨savoir-vivre¨, como dizem os franceses ) e dicas de como se comportar. Esses livros tinham uma consumidora certa: as mulheres da pequena e média burguesia, que imitavam a aristocracia, na esperança de atrair as atenções de um homem bem sucedido, leia-se um ¨bom partido¨.

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