domingo, 1 de novembro de 2015

Realismo



Realismo: a pintura realista recusa o intelectualismo neoclássico e o emocionalismo romântico. Tem algum apego aos métodos científicos de criação e, sobretudo, propaga idéias políticas e sociais ao denunciar as injustiças, a exploração dos humildes e o contraste entre a miséria e a riqueza.


Para os pintores do movimento realista, o belo é o verdadeiro. Eles escolhem os temas dos seus quadros observando a realidade.
¨Quero fazer uma arte viva, traduzindo os anseios e idéias da minha época ¨. Com esta afirmação, Gustave Coubert, assumiu o compromisso de só pintar a realidade, ou seja, o que viu. Ele é o fundador do estilo realista porque foi quem primeiro externou solidariedade com a vida dos seus contemporâneos, assumindo um engajamento explicito.

O quadro ¨Enterro em Ornans¨ (Enterrement à Ornans), pintado entre 1849-1850, e que se encontra no Museu d’Orsay, Paris – França, pode ser considerado o precursor do movimento realista. Com mais de seis metros de comprimento, tamanho até então exclusivo dos quadros históricos, o ¨Enterro em Ornans¨é uma imensa composição onde os protagonistas são pessoas comuns, mostradas exatamente como eles são, com suas roupas de todo dia, seus rostos banais. Coubert utiliza um formato de quadro histórico para retratar uma cena da vida cotidiana.

No quadro em questão, a cena é de um enterro em Ornans, que vem a ser a cidade natal de Gustave Coubert. Em volta da cova aberta, estão o padre da paróquia da cidade e a mãe e as irmãs do pintor. Elas, como as demais mulheres, vestem roupas pretas, austeras. A maioria delas usa na cabeça touca ou pano preto. Algumas usam toucas brancas, o que dá um toque de luz e quebra o tom escuro, sinistro, que domina a tela. Para os homens, os paletós coletes, calças, conforme a moda da época. A maioria está também de preto. O toque iluminado fica por conta das camisas brancas e de uma perneira ( de inspiração militar ) também branca. No primeiro plano, há um senhor que se distingue dos outros porque está com um paletó ( tipo fraque ) e calça verde-musgo. O colete é marrom.

Apresentado ao público e aos críticos de arte em 1850, o ¨Enterro em Ornans¨provocou um escândalo. ¨Como Coubert ousou pintar um fato do cotidiano num tamanho de quadro histórico?¨. Esta era a pergunta que corria de boca-em-boca em Paris. Em 1855, os quadros de Gustave Coubert são recusados na mostra de arte da 1ª  Exposição Universal de Paris.
 
Proibido pelos Críticos de arte de participar da Exposição Universal, Gustave Coubert decide mostrar seus quadros numa mostra paralela, que ele batiza de ¨Pavilhão do Realismo¨. Ao combater as convenções da então arte oficial, adotadas pela Escola de Belas Artes e consagradas no Salão de Paris, Gustave Coubert criou o realismo, um movimento importante,um estilo frutífero, que trouxe nova visão plástica do mundo.
Para sobreviver, Coubert ministra aulas de pintura. E ele sempre aconselhava seus alunos a ¨pintar coisas reais e relevantes¨.

De origem rural, Jean-François Millet se especializou em retratar a existência difícil dos camponeses, numa época marcada pela revolução industrial e, consequentemente, pelo êxodo das populações rurais, que trocam o campo pelas cidades industriais, em busca de novos trabalhos e maiores ganhos. Millet tinha uma posição política e social a favor do povo. Ele dizia: ¨Cada época tem a sua poesia. Cabe ao artista descobri-la e traduzi-la¨.

Para Millet, a poesia estava no trabalho de mulheres e homens do campo. ¨Os plantadores de batata¨, ¨o semeador¨: estes são os títulos de alguns dos seus quadros, onde ele evoca as imagens do campo. No quadro ¨Des Glaneuses¨ também chamado de "Les Glaneuses" (em português, "as respigadoras"), pintado em 1857 e que se encontra no Museu d’Orsay – Paris, França – Jean-François Millet mostra as camponesas colhendo trigo. Elas estão trajando vestidos ou saia e blusa em tecido rústico. Os complementos são um avental e um lenço amarrado na cabeça. Vale ressaltar que a ausência de chapéu as caracterizavam como mulheres do povo. Cheinhas, elas deixam suas silhuetas ( típico da época ) livre dos espartilhos, que limitavam os movimentos, dificultando o trabalho, sobretudo braçal de plantar e colher. O uso do espartilho era restrito  às moças e senhoras burguesas, que viviam para o lar.

Nenhum comentário:

Postar um comentário