Neoclássico: surge no final do século XVIII. Restaura as artes da Antiguidade Greco-romana. Seus valores estéticos são valores morais. O belo ideal é o que une a beleza dos corpos à beleza do espírito. Este estilo procurou expressar os interesses e a mentalidade da burguesia da época da Revolução Francesa e do império napoleônico.
Importantes artistas do movimento neoclássico sonham em educar o público e desenvolver seu senso moral e cívico, e se inspiram na antiguidade Greco-romana para realizar, sobretudo grandes pinturas com motivos históricos, religiosos e mitológicos. Por outro lado, as telas que reproduzem cenas do cotidiano e os retratos dos burgueses consagrados, eram capazes de bem remunerar um artista. Menos solicitados eram os quadros com paisagens e natureza morta.
Jacques-Louis David foi um dos primeiros pintores neo-clássicos. Para ele, a beleza de Roma (capital da Itália) e seus monumentos antigos eram uma autêntica revelação. Em 1780, nove anos antes da revolução francesa, que ocorreu em 1789, David começou a fazer quadros com a história da antiguidade. E essas telas chamam a atenção pelas suas linhas fortes que guiam o olhar. Durante a revolução, Jacques-Louis David, politicamente engajado, colocou sua arte a serviço da França. E se torna, no poder, um observador privilegiado. Quando Napoleão Bonaparte conquistou o posto de Primeiro Consul, ofereceu a David sua proteção, nomeando-o primeiro pintor da corte.
A coroação de Napoleão está imortalizada num grande quadro de Jacques-Louis David chamado “A sagração do imperador Napoleão I”. A tela, pintada entre 1806-1807, mostra a coroação de Josèphine por seu marido, Napoleão Bonaparte, que admirava profundamente a antiguidade greco-romana e gostava de se imaginar um César ou um Alexandre moderno. Um dos seus emblemas era a águia imperial. No quadro de Jacques-Louis David é traduzida toda a pompa que envolvia a corte napoleônica e a figura de Bonaparte nos remete às imagens de César, na Roma antiga. A influência da Antiguidade também está presente na moda feminina, com suas cinturas altas,caimento lânguido, feito uma túnica.
Para Jean Auguste Dominique Ingrés coube imortalizar o homem de negócios, a burguesia triunfante, no retrato que fez, em 1832, de Louis-François Bertin, o fundador do jornal francês “Débats”. O quadro conhecido pelo nome de “M.Bertin” deixa bem à vista os trajes sóbrios do burguês bem-sucedido, que veste paletó e calças pretas, mais colete verde-musgo. O único toque de luz fica por conta da camisa branca. Na cintura, notem bem, já está o relógio, acessório que se consagra quando o burguês assume, também, o controle político, após a Revolução Francesa. O imortal poeta Baudelaire amava este quadro.
Para Baudelaire, a existência da tela “M.Bertin” era a prova do talento de Ingrés, “o único homem da França que realmente faz retratos.” E o consagrado pintor foi uma espécie de cronista visual da sociedade do seu tempo.
Outro retrato de Jean-Auguste-Dominique Ingrés é o de “Madame de Senonnes”, que se encontra no Museu de Belas Artes, em Nantes, França. O estilo de vestir da senhora Senonnes é fiel à moda da época da restauração, ocorrida entre 1815-1820, e que significa o retorno dos Bourbons (leia-se a família imperial francesa) ao poder, com a derrota de Napoleão. A cintura alta, que marcou a moda feminina durante o período de influência neoclássica, está presente no vestido de veludo em cor escura, com discretas transparências no colo, que deixam entrever parte do busto. Pescoço marcado por gola em renda, que também está presente nos punhos das mangas compridas. Nos dedos, vários anéis. Os cabelos negros estão presos e enfeitados apenas por uma tiara. Nesse período histórico, quem ditava as variações e mudanças da moda feminina era Paris (França), que já era vista como a capital da elegância, sobretudo do estilo urbano, das cidades, que se desenvolveu muito após a Revolução Francesa.
Vale destacar que Ingrés pintava ricaços e nobres só para pagar as contas no final do mês. Ele considerava o retrato um gênero menor da pintura e acreditava que a tarefa primordial da arte era produzir quadros históricos, com valores morais, conforme ditavam os preceitos neoclássicos.
E nos quadros que pintava para sobreviver, Jean-Louis-Dominique Ingrés era um detalhista, um perfeccionista ao reproduzir jóias, flores e panejamento dos tecidos, tão em voga naquela época.

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