domingo, 1 de novembro de 2015

Os estilos na Moda



O estilo cubista e o estilo surrealista influenciaram as criações de Elsa Schiaparelli, que contratou os artistas Salvador Dali e Jean Cocteau para desenhar acessórios, leia-se  broches e chapéus. 
Ao reunir, com muito talento, moda e arte como uma mesma expressão artística, Schiaparelli afirmou, nos anos 30 do século XX, que "não havia lugar para a arte separada da vida." Trocando em miúdos para ela não podia haver coisas belas só para serem admiradas e coisas úteis para serem usadas, vestidas. 

Para Elsa Schiaparelli a arte faz parte da vida. Para quem se chocava com as suas declarações, ela perguntava: "Por que vocês acham que sou louca quando coloco arte nos meus vestidos?" 

Ao utilizar a arte como uma arma de sedução para combater o sentimento conformista que dominava a Europa antes da Segunda Grande Guerra, Elsa mostrou que a ligação da moda com a arte pode ser bela e positiva.

Para Schiaparelli, a moda e arte possuem em comum a escolha de um tema, a questão do volume, do espaço , do uso da cor, da utilização do movimento e a importância da forma. 

A sua moda provocativa,irreverente, gerou em 1938, o vestido de baile com uma lagosta estampada,inspirada num quadro de Salvador Dali. O vestido com bolsos-gaveta também é baseado num quadro de Dali, assim como o chapéu-telescópio. O marchand francês Julian Levy chegou a declarar, em 1936, que Elsa Schiaparelli era a única estilista que compreendia, amava e difundia o movimento surrealista. Colorista brilhante, Schiaparelli  tomou um dos tons de rosa utilizado por alguns surrealistas pioneiros, quando realizavam experimentações de cor, e lhe deu o nome de rosa-choque também conhecido como rosa-fúcsia, uma cor que traduz a irreverência permanente, a espiritualidade de Schiaparelli, uma estilista provocativa, que criou uma moda cheia de imprevistos, cheia de vida.

Cubismo – Tendência artística surgida por volta de 1908, que considerava a obra de arte um fato plástico independente da imitação direta das formas naturais e que se propunha a traduzir sua visão com a ajuda de formas geométricas.

Surrealismo – Ao escrever, em 1924, o manifesto surrealista, André Bretón afirmou que a pintura surrealista deveria expressar o inconsciente, sem sofrer controles da razão. Um segundo manifesto escrito em 1929  - ano em que ocorre o crack da bolsa de Nova York, que leva o mundo a entrar em depressão econômica – declara que os surrealistas só devem obedecer ao prazer de criar, sem ter compromisso com o real, o palpável.

Após Elsa Schiaparelli quem melhor realizou a relação moda e arte foi o estilista Yves Saint Laurent. Nascido em 1936 na Argélia, Saint-Laurent abriu sua Maison em 1962 e três anos depois, ou seja em 1965, fundiu a arte à moda em seus vestidos-tubos que trouxeram uma livre interpretação das telas de Piet Mondrian (1872-1944), pioneiro do estilo abstrato.



Arte abstrata – surgiu no inicio do século XX e se opôs , por definição, à arte figurativa, que dominava todo o espaço de expressão das artes plásticas. Sem compromisso em retratar o real, liberados da ditadura das naturezas mortas, dos retratos, os pintores abstratos assumiram um compromisso com o espiritual em quadros que reproduzem a viso do artista, o seu imaginário, pois a fotografia já havia assumido o compromisso de reproduzir e traduzir o real.

E o vocabulário artístico de Yves Saint Laurent é vasto. Após homenagear Mondrian, ela passa a utilizar , com muita freqüência, as artes plásticas em suas coleções. Em 1966  cria um estilo op-art, com a sua interpretação dos conceitos libertários dos anos 60, mais precisamente de maio de 1968, data de uma célebre passeata estudantil em Paris, cujo slogan foi “a imaginação no poder”. Em 1977, Saint-Laurent homenageia os pintores Diego Velázquez e Eugéne Delacroix. No ano de 1980 ele cria um estilo baseado em Henri Matisse. Oito anos depois, ou seja em 1988, Saint-Laurent homenageia o célebre Van Gogh, o estilo expressionista e o cubismo na sua coleção primavera-verão.

Ao utilizar, com freqüência a arte como fonte de inspiração, Yves Saint-Laurent abriu caminho para muitos outros estilistas, que observando o seu sucesso, seguiram os seus passos. Vale ainda destacar Pierre Cardin, Paco Rabanne e André Courréges que desenvolveram, nas décadas de 60 e 70, o estilo futurista. O branco imaculado, o branco puro, símbolo da pureza, foi a cor que Courréges utilizou na sua coleção futurista de 1965, onde ele prestou uma homenagem às ciências, ao espírito humanista e às descobertas espaciais, com a chegada do homem à lua.

Já Pierre Cardin utilizou as abstrações geométricas , tão comuns na arte moderna, para desenvolver linha, volume e modelagem dos seus vestidos, que apresentavam um equilíbrio perfeito. Na época, Cardin afirmou que a imensidão do universo e a geometria da arte abstrata eram a sua fonte de inspiração. E concluiu dizendo que a sua roupa era uma justa homenagem à descoberta espacial, à imaginação de todos os pintores modernos... Afinal, para ele, sua roupa era a roupa do amanhã.


O Paco Rabanne fez uso do metal, de placas de metal em roupas que traduziam a sua visão futurista, onde as amazonas do século XXI apareciam não protegidas e sim liberadas ou ornadas pelos vestidos em metal. Este estilo que celebrizou Rabanne foi, na época, duramente criticado por Gabrielle Coco Chanel, que dizia:" isso não é uma costura, e sim uma metalurgia..." Para Rabanne¨ seu estilo fez sucesso, foi consagrado pela industria de moda, porque traduziu o passar do tempo e se inscreveu numa lógica histórica, no curso do tempo, ao tentar prever o amanhã. Mas sem dúvida os vestidos-tubos curtos, ou seja, acima dos joelhos, em metal com linhas geométricas, pareciam uma sátira, uma abstração das antigas armaduras . 

Em 1989 Rabanne declarou que a moda e a arte possuem em comum o desejo de provocar... Em sua coleção de 1992 Paco Rabanne denunciou o abuso da sociedade de consumo ao criar uma túnica ecológica, feita de garrafas de plástico... Para ele, este foi mais uma roupa-objeto, onde a originalidade residia na originalidade do material empregado.

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