domingo, 1 de novembro de 2015

Eliminando os preconceitos




Muitos artistas têm a sorte de captar, feito bruxos, o que as pessoas anseiam exatamente nesse momento. Outros, porém, andam a frente do seu tempo e profetizam estilos que apenas serão consagrados no futuro (próximo ou longínguo). Posso exemplificar com duas mulheres brasileiras, dois “oráculos” não compreendidos na época em que viveram. A primeira foi Pagu, pseudônimo de Patricia Galvão, jornalista, escritora, participante da Semana de Arte Moderna de 1922, em São Paulo, cidade onde vivia e gostava de freqüentar bares usando calças compridas, fumando e com cabelos curtos à La garçonne. Conclusão: escandalizou a capital paulista, foi marginalizada, mal vista, etc. Atualmente, seus gestos, atitudes e comportamento viraram um lugar absolutamente comum. A segunda brasileira a destacar é Leila Diniz, que gerou um verdadeiro escândalo ao aparecer grávida de biquíni, numa época em que a gravidez, no Brasil, era vista ainda como uma doença. Hoje, todas as grávidas expõem sua barriga em público. Todas são um pouco Leila Diniz.


No campo das artes plásticas, vale lembrar que Vicent Van Gogh, célebre pintor expressionista, não conseguiu vender seus quadros enquanto viveu. E vivia em absoluta miséria, dependendo de favores de terceiros e da ajuda do seu irmão Théo. Morreu aos 37 anos, em 1890. Cento e vinte anos após a sua morte, seus quadros são “verdadeiras minas de ouro”. Ou seja, são vendidos por preços altíssimos e se transformaram num investimento certo para bilionários no mercado internacional. Ter um Van Gogh é ter milhões de dólares em caixa ..! E há muitos outros artistas que já passaram por esta situação (terrível) de serem incompreendidos no tempo em que viveram. E o que leva pessoas de um determinado tempo, de uma determinada época a se chocar com uma determinada proposta artística? Sem dúvida alguma é a cultura, já que o ser humano é fruto do ambiente em que vive.

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