domingo, 1 de novembro de 2015

Arte-moda. Moda-arte



Considerado o Pai da alta-costura, Worth dominou o cenário da moda desde meados do século XIX até as novas linhas delgadas do início do século XX. Antes dele, o alfaiate, a costureira ou o comerciante de moda trabalhavam em ligação direta com o cliente. Ou seja, de comum acordo elaboravam a toalette e a cliente fazia valer o seu gosto e suas preferências, orientando o trabalho do profissional de moda. Charles Frederick Worth mudou esta realidade ao montar os primeiros desfiles de moda. Ele apresentava os seus modelos, suas criações. Cabia a cada cliente escolher, entre os modelos apresentados,aquele que mais lhe agradava. Inicia-se com Worth o poder dos costureiros. De uma era em que a cliente coopera com o costureiro, a partir de um modelo em suma fixo, passou-se a uma era em que o vestuário é concebido, inventado de ponta a ponta pelo profissional, em função da sua inspiração e do seu gosto. Com Worth o costureiro adquiriu o direito de legislar livremente em matéria de elegância.

Antes de Worth, trajes por sua plasticidade se transformaram em peças antológicas, que contam um pouco dos hábitos, cores e formas que marcaram a história.

O traje de Monna Lisa de Leonardo da Vinci pode ser um exemplo. Quem o criou? Ninguém sabe. Provavelmente um ¨tailleur de ville¨, numa tradução literal, um alfaiate da cidade. Ele surgiu, a Europa, com o desenvolvimento urbano nos séculos XII e XIII. Era um artesão reconhecido, mas nenhum nome ficou para a história. Pois, durante séculos ninguém admitia ser possível reivindicar, na concepção e confecção de roupas, o reconhecimento de um trabalho artístico. A indumentária dos poderosos do  passado chegou até nós por intermédio da pintura e da escultura, estas, sim, consideradas arte maior, onde o autor assinava e assina o que faz.

Daí, a importância de Charles  Frederick  Worth que fez a passagem da moda artesanal e historicamente anônima, para a moda de um novo tempo, ou seja a moda assinada, a moda pós revolução industrial e a sua ( posterior ) fabricação em série.
 
Quando realizava seus primeiros desfiles, por volta de 1860, e impunha seus modelos e seus gostos, Worth anunciava esses novos tempos,  com  o surgimento da indústria da moda que tem na câmara da alta-costura ( fundada no ano de 1868, em Paris – França ) o seu  laboratório, já que todas as outras formas de fabricação que aliás hoje dominam o mundo, são em série.


Ao ditar o uso, o gosto e a seleção de  peças do vestuário, Charles Frederick Worth  impunha valores estéticos e determinava o que era bom gosto, Ele era um ávido colecionador de arte. Mas não  costumava  se inspirar nas artes plásticas ao criar as suas  coleções.

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