domingo, 1 de novembro de 2015

Arte & Moda




Você acredita que o vestir pode ser uma arte? É bem capaz de você  considerar o vestir um simples ato cotidiano, feito passar água no rosto, escovar os dentes, escovar os cabelos ...! Mas se houvesse possibilidade de você se transportar para o século passado, ou melhor dizendo, para 100 anos atrás, sem dúvida iria constatar que o vestir era uma arte. E uma arte que encantava a todos os pintores. Havia um culto à indumentária, um culto à estética. Como bem afirmou o poeta Baudelaire, em meados do século XIX, “uma autêntica toilette vale um poema.” Havia arte na aparência, nos gestos e na roupa. O ato de compor um estilo exigia noções de harmonia e unidade, elementos também presentes na composição de um quadro. A moda era vista como uma arte aplicada, porque compunha um todo que representava harmonia nas cores, harmonia nas formas e harmonia nos gestos e movimentos. Havia um refinamento na forma e no estilo e uma busca consciente de uma linguagem das roupas. Era como se a roupa tivesse alma ... Daí tantos pintores célebres terem se aplicado em reproduzir as roupas de séculos passados. Em cada retrato que criavam eles se mantinham fiéis ao estilo de vestir difundido num determinado tempo histórico. Fascinados pela arte do bem vestir, eles eternizaram estilos.
Pintor célebre Edgar Degas foi um pouco “costureiro” ao imortalizar o ritual de vestir feminino em três quadros. O primeiro se chama “Chez La modiste” (numa tradução literal, na modista), foi pintado em 1882, se encontra no Metropolitan Museum Of Art, Nova York – EUA – e retrata uma mulher no momento em que prova um vestido submetendo-se ao ritual de ajustes de modelagem, mostrando a costureira realizando os devidos acertos no corte, adaptando-o ao corpo da sua cliente. O segundo, batizado de “Chez La couturière” (traduzindo, na costureira) foi pintado por volta de 1882-1883, e também se encontra no Metropolitan Museum of Art, Nova York, USA – e retrata o ritual da escolha de uma toilette. No terceiro quadro, “Madame Jeantaud devant um miroir” (numa tradução literal, madame Jeantaud na frente do espelho) que se encontra no Museu d’Orsay, Paris – França, o pintor Edgar Degas imortalizou uma jovem senhora no momento em que ela admira o resultado final de sua toilette, ou seja, do seu traje. E  a moda do século XIX era uma arquitetura que dissimulava e modificava os corpos femininos, caracterizando-se pela acumulação de ornamentos e de complementos. Cabia à uma mulher elegante jamais sair de casa sem chapéu e luvas. Cabia à revista de moda, todas editadas em Paris (França), divulgar os últimos lançamentos.
No século XIX já existia, na França, uma forte imprensa de moda feminina. Fazem parte da história mundial da imprensa feminina as seguintes publicações: “La revue illustrée, L’art de la mode, La vie parisienne, Le petit courrier, Le journal des jeunes filles, La revue de la mode, La dernière mode, Le moniteur de la mode, Le magasin des demoiselles, la mode illustrée.”


E muitos pintores trabalhavam como ilustradores para estas revistas, sem assinar as ilustrações que hoje são vistas como autênticas obras de arte. O avanço da roupa industrializada, o “nascimento” da profissão de estilista, aquele que assina as suas criações, o surgimento da fotografia e do desenvolvimento, a partir do século XX, da arte abstrata: sem dúvida estas são razões que levaram o artista plástico a deixar de “retratar” a moda, que aliás caminhou, durante todas as décadas do século XX, para uma simplificação das formas, que teve seu auge no movimento minimalista.

Arte abstrata é aquela cujas formas e cores não possuem relação direta com formas e cores da realidade visual. No abstracionismo o artista se revolta contra a precisão da vida moderna, o racionalismo e a civilização.

Minimalismo ou, em inglês, "Minimal Art": surgida no final dos anos 60 fez com que a forma, a cor, composição e emoção fossem descartados do objeto artístico, reduzindo-o a uma estrutura simples, primária.

No passado, as roupas costumavam ser um meio direto de manifestar o status social. Hoje, ocorre uma certa inversão. Pessoas com dinheiro e poder procuram vestir-se e comportar-se de maneira simples. Ou seja, muitos não desejam "dar na vista".
Para valorizar suas criações , hoje são os estilistas, os criadores de moda que utilizam a arte como fonte de inspiração. Nos próximos capítulos vamos ver os principais movimentos artísticos, incluindo o surgimento do impressionismo.


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