Romantismo: movimento artístico onde predominam os valores emocionais sobre os intelectuais. Os artistas têm sentimentos nacionalistas e apreço pela Grécia contemporânea, participando dos acontecimentos sociais e políticos do seu tempo. Na pintura, há uma forte tendência para exagerar no colorido. Mas as formas são sintéticas.
“O pintor não deve retratar o que vê diante de si, mas também o que vê dentro de si mesmo”, declarou o pintor Caspar David Friedrich da escola alemã do romantismo. Com estas palavras ele definiu a intensa preocupação com os sentimentos, que prevalecia entre artistas românticos . Muitos destes artistas se inspiram, inclusive, em grandes escritores dramáticos, como, por exemplo, Dante, Shakespeare, Goethe e Byron. E cada artista do período registra o seu tempo de acordo com a sua sensibilidade pessoal. A imaginação e o fantástico ocupam o primeiro lugar. É o predomínio dos sentimentos sobre o intelecto. Os artistas escolhem mostrar os episódios históricos que correspondem às suas sensibilidades.
O fundador do estilo romântico é o francês Théodore Géricaut. Precursor, ele imortaliza, nos seus quadros, fatos de vida contemporânea. Em 1815, Géricaut se inspirou na tragédia de um naufrágio para criar a tela ¨Balsa da Medusa¨ (Museu do Louvre, Paris – França ), que apresenta uma imponente composição em pirâmide, com náufragos nus, seminus ou apenas envolvidos num pano. O jogo de cores claras versus escuras/sombrias reforça o sabor trágico desta composição que não fez sucesso imediato junto ao publico.
Ao criar este quadro, Géricault demonstra que o mundo moderno pode fornecer grandes temas para a pintura histórica. Mas quem ganhou fama e expressou os sentimentos mais exaltados, como um autêntico romântico, foi Eugene Delacroix, um apaixonado por temas históricos, por grandes composições históricas. Ele participou da revolução ocorrida em Paris ( França ) em 1830, quando da queda do rei Carlos X. E esse episódio histórico lhe ofereceu a oportunidade de registrar o seu tempo no quadro ¨A liberdade guiando o povo ¨ (La liberté guidant le peuple), que se encontra no Museu do Louvre, Paris – França. Esta célebre tela celebra o combate da geração romântica pela liberdade, constituindo um panfleto político, que exalta a revolução de 1830. O quadro vale pela autenticidade, pelas cores, pelo jogo de luzes e sombras, tão característico do estilo romântico. O único personagem feminino presente nesta tela de Eugène Delacroix está com o busto de fora. Mas a sua nudez parcial é a nudez casta, como o nu da mitologia. E o seu vestido solto, com amarração na cintura e lateral, na diagonal, não segue a moda da época. Inspira-se, também, nas figuras mitológicas. E ela, uma heroína, segura a bandeira francesa, num ato de patriotismo. Sua mão levantada, com energia e segurança, parece dizer: ¨Allons..." (Vamos...). Trata-se de de um convite à luta pela pátria. Os homens e o menino, todos armados, alguns caídos, feridos ou mortos; outros em pé. Todos - homens e menino - como povo que são, trajam o estilo ¨sans culotte ¨, numa tradução literal, sem calção.
Os calções eram exclusivos dos nobres e da corte, que gostavam de vestir com ostentação e luxo. Ou seja, seus trajes ( inclusive os célebres calções masculinos ) eram detalhados por bordados em pérolas e pedras preciosas.
Com a Revolução Francesa surge o estilo ¨sans culotte ¨que era a forma de vestir dos pequenos comerciantes, dos assalariados, do povo, enfim. E os burgueses, vitoriosos, queriam, de alguma forma, encontrar um estilo de vestir que caracterizasse o seu jeito de ser que os diferenciasse dos nobres. As calças compridas, que já faziam parte dos guarda-roupa dos ¨sans culottes ¨- conforme esta registrado no quadro de Eugéne Delacroix – passam, cada vez mais, a traduzir a sobriedade do burguês, que não deseja chamar a atenção pela sua aparência física. Ele deseja, sim, atrair as atenções para a sua inteligência, para a sua cabeça, não para o seu físico. Para ele, nada melhor que a sobriedade do paletó/colete e calça em cores neutras/escuras e um corte que dispensa detalhes supérfluos. E estas, salvo pequenas alterações, são as linhas mestras da modelagem masculina até a atualidade. Um homem de negócios num terno bem cortado, bem modelado e feito num tecido de qualidade, é bem recebido em qualquer parte do mundo, seja no ocidente, seja no oriente. Porque seu traje sóbrio fala por ele, ou seja, ¨diz ¨quem ele é.
No estilo de vestir, o romantismo é marcado por uma preocupação com o passado. A burguesia não gostava, na época, de se glorificar da sua riqueza. Os homens estavam muito ocupados com os negócios, suas mulheres e filhas viviam para a vida do lar, para a vida doméstica. Em poucas palavras, foi uma época que não aceitou exibição no vestir: distinguir-se pela roupa era, para os homens, sinal de arrogância.
Atualmente, as mulheres independentes econômicamente, também gostam de adotar os ¨simbolos masculinos de representação da força e do poder. Trocando em miúdos é cada vez maior o contingente feminino adepto da austeridade no vestir, leia-se adepto dos blazers, das calças compridas, dos paletós,dos ternos pretos ou,, simplesmente, do sóbrio e discretíssimo tailleur. Podemos dizer que faz pouco tempo que a mulher conquistou o direito de ter uma carreira, uma profissão. E ao se profissionalizar, ela, por ainda não ter um modelo seu de sobriedade, adotou o modelo de sobriedade masculina. Também pode-se dizer que essas roupas sóbrias, essas roupas austeras e até um ¨visual militar ¨ tornaram-se uma mania contemporânea, já que a proteção contra um inimigo qualquer parece ser uma obsessão dos atuais tempos modernos, época marcada também pelo crime de abuso sexual.

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