domingo, 1 de novembro de 2015

O que é Arte?


Uma tentativa de definição

"Arte é cada vez mais necessária, ainda mais no mundo massificado e massacrante em que vivemos hoje, onde pouco espaço reta ao ser para respirar. Não houvesse arte, não suportaríamos. O excesso de materialismo, intolerância, violência, a 'infraternidade' é o oposto da arte. Arte é exatamente o contrário: une, melhora quem faz e quem aborve, melhora os seres e aprimora o mundo" Olga Savary - escritora, jornalista e tradutora.

Definir arte é uma tarefa árdua, pois significa cair num terreno de areia movediça. Ou seja, há milhares de estudos sobre arte e cada um traz uma definição, uma explicação, e nenhuma delas é completa. Por isso, ao invés de buscar uma definição é melhor procurar entendê-la, através de seus elementos mais característicos.
Em nossa época as artes são vistas, sobretudo, como uma área privilegiada do fazer humano que permite ao indivíduo uma liberdade de ação emocional e intelectual inexistente nos outros campos de atividade humana, por isso unicamente o trabalho artístico é qualificado de criativo. Mas essa visão é muito relativa, uma vez que uma boa arte é um dom, uma habilidade desenvolvida em duro exercício de paciência.
Enxergar a arte como “um duro exercício” é um dado importantíssimo, pois como diz a sabedoria popular, “criar é 90% de transpiração e 10% de talento.” Ou seja, nada de pensar que um artista, um criador, já nasce pronto. Sem dúvida, o dom e o talento de “mexer” com a sensibilidade humana é uma coisa que a pessoa tem e que ninguém sabe explicar. Mas esse talento necessita ser “burilado”, o artista precisa encontrar uma linguagem que expresse seu dom, sua sensibilidade, e isso exige um longo trabalho.
Pessoas sensíveis não se envergonham em expressar ou deixar transparecer a emoção que sentem, quando deparam com uma obra de arte que os toca, que os faz sentir alguma coisa. E essa obra que fala sem utilizar palavras – tanto pode ser uma escultura, uma cerâmia ou um quadro (estamos nos restringindo aqui às artes plásticas) pode ter sido criada por um artista com formação acadêmica ou por um artesão analfabeto, que nunca saiu do sertão. O que ocorre é que o verdadeiro artista imprime ao seu trabalho uma singularidade tão sua, que transforma um mero objeto em arte. A representação desse objeto, aparentemente banal, vem impregnada de sua concepção do que vem a ser esse objeto. Podemos ir, mais além, a arte que nos toca, e nos faz, momentaneamente, “escapulir” da rotina, do corre-corre diário, e que nos faz sonhar, pode ser absolutamente simples. Tão simples que pode nos levar a dizer: “puxa, por que não pensei em fazer algo assim?” Só que esta aparente  simplicidade não é espontânea. Ela é fruto de um intenso trabalho. A busca da simplicidade exige, às vezes, de um artista anos de pesquisa. É o dominino de uma linguagem, que propicia essa simplicidade.
Todo artista, todo criador necessita pesquisar muito as formas. Pois criar é formar. Criar é dar uma forma a algo novo. Leia-se como novo, aqui, novas propostas, novas coerências estabelecidas pela mente humana; fenômenos vistos ou relacionados de uma maneira inédita ou diferente. Então, a capacidade de criar inclui a de relacionar, ordenar, configurar e significar. Trocando em miúdos, o ser humano sempre foi um ser formador, um ser com conteúdo, capaz de relacionar os eventos, fatos ou fenômenos ocorridos em volta dele. Só que ao artista, ao criador cabe configurar os fatos dando a sua “versão”, a sua interpretação, o seu jeito de ver/enxergar o fato. Ele dá significado aos estímulos que recebe diariamente. E esses estímulos podem estar relacionados a fatos corriqueiros como, por exemplo, o jeito como as pessoas andam, as casas, as cores, sons, cheiros.

Todas as pessoas recebem, a cada instante, dezenas de estímulos. Mas só os artistas são capazes de fazer uma releitura desses mesmos estímulos, associando-os uns aos outros, ordenando-os. E essa ordenação dos estímulos sempre segue uma organização interna, do nosso interior. Constitui-se numa busca de significados. E esta busca de ordenação é que leva o ser humano a buscar novas formas e, consequentemente, a criar. Ou seja, o artista se comunica com os demais seres humanos através  das ordenações das formas oriundas , ora do seu cotidiano, ora de seu próprio inconsciente, revistas com lucidez e toques de imaginação. Isso acontece porque a arte é fruto de um processo intuitivo, como veremos, a seguir, ao refletir sobre a relação entre a arte e a intuição.

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